Queria uma forma simples de lavar o chão sem ficar com aquele cheiro agressivo a detergente. O chão até parecia limpo, mas na cozinha e na entrada persistia um “baço” (gordura leve + odores) como se o pano só espalhasse.
A curcuma entrou como teste de baixo risco: é barata, fácil de encontrar e tem uma cor/cheiro característicos. O resultado foi mais “sóbrio” do que milagroso - e por isso mesmo útil.
A experiência: curcuma na água de lavar o chão (e o que mudou mesmo)
O que notei não foi um efeito instantâneo, mas uma melhoria consistente quando a limpeza base já estava bem feita (varrer/aspirar primeiro e pano limpo).
No meu caso, as mudanças foram estas:
- Menos cheiro a gordura na cozinha (sobretudo junto ao fogão).
- Aspeto mais uniforme em mosaico/cerâmica (menos baço; não “espelhado”).
- Menos odor a humidade na entrada (onde os sapatos e a água fazem estragos).
Isto não substitui desinfeção quando ela é necessária, nem resolve humidade estrutural. Funciona melhor como ajuste “leve” na rotina.
O porquê (sem misticismo): o que a curcuma faz e o que não faz
A curcuma (curcumina) é muito pigmentada e, em alguns contextos, é estudada por propriedades antimicrobianas. Em limpeza doméstica, o mais relevante costuma ser:
- Ajuda a “quebrar” a sensação de gordura leve e a neutralizar odores.
- Pode complementar um detergente suave, sem perfumar o ar à força.
O que ela não faz (e é importante ser honesto):
- Não equivale a um desinfetante quando há doença em casa, vómitos, sangue, etc.
- Não remove manchas antigas “encrostadas” sem esfregar e sem produto adequado.
- Não compensa água suja, esfregona encardida ou balde que não é trocado.
Regra prática: curcuma melhora o resultado quando o básico (pó fora + pano limpo + pouca água) já está controlado.
A receita simples (a dose é o segredo para não arriscar manchas)
O erro mais comum é exagerar. Com curcuma, mais quantidade = mais risco de pigmento ficar em juntas, poros ou rodapés.
Uso assim (seguro e repetível):
- 4–5 litros de água morna (não precisa estar a ferver).
- 1/4 colher de chá de curcuma em pó.
- Algumas gotas de detergente da loiça (opcional, mas ajuda na cozinha).
- Mexer bem; usar pano/esfregona bem torcida (húmida, não encharcada).
- Trabalhar por zonas e evitar poças.
Dois detalhes que ajudam a evitar surpresas:
- Se o pó fizer grumos, esmague primeiro num pouco de água morna e só depois junte ao balde.
- Se tiver juntas muito claras, comece com metade da dose e aumente só se correr bem.
Onde resulta melhor - e onde eu não arriscaria
A curcuma tinge facilmente tecidos e algumas superfícies. Em cerâmica esmaltada costuma ser tranquila; em materiais porosos, o risco sobe.
Guia rápido (conservador):
| Tipo de chão | Eu usaria? | Nota prática |
|---|---|---|
| Mosaico/cerâmica | Sim | Dose baixa e pano bem torcido |
| Vinílico/PVC | Com teste | Evitar “esfregar a seco”; se ficar película, passar pano só com água |
| Madeira (envernizada) | Só com muito cuidado | Pouca água, teste antes; atenção às juntas e rodapés |
| Pedra porosa/terracota | Não recomendaria | Pigmento pode ficar preso mesmo com pouca dose |
Se o chão for muito claro, poroso, com juntas abertas ou sem proteção (ex.: pedra natural sem selante), eu faria teste num canto discreto e só avançava depois de secar.
O “efeito surpresa” que ninguém avisa: o pano e o balde contam mais do que o pó
Se o pano/esfregona já estiver encardido, a água amarela pode “disfarçar” a sujidade e o chão só parece pior quando seca. Aqui a curcuma não salva - até pode evidenciar.
O que mais mudou o resultado para mim:
- Trocar a água a meio, sobretudo em entrada e cozinha.
- Usar microfibra limpa (ou esfregona bem lavada e escorrida).
Se o chão ficar pegajoso, quase sempre é excesso de detergente. Com a curcuma em dose baixa, não notei película; com detergente a mais, sim.
Como fazer sem stress (mini-checklist para a primeira vez)
Para testar sem estragar:
- Varra/aspire bem (areia e pó riscam e tiram brilho).
- Comece com a dose mínima.
- Teste num canto escondido e espere secar totalmente.
- Trabalhe por zonas e não encharque.
- Se ficar na dúvida, finalize com um pano só com água (enxaguamento leve).
Se usar luvas claras, também evita ficar com as mãos manchadas - a curcuma pega na pele e nas unhas.
Quando vale a pena repetir (e quando mais vale esquecer)
Eu repetiria:
- Depois de semanas com mais fritos/vapor na cozinha.
- Em casas com animais, quando o cheiro é persistente mas não “sujo”.
- Quando quero um resultado decente sem perfumes fortes.
Eu evitaria:
- Em chão poroso/claro sem possibilidade de teste.
- Quando há necessidade real de desinfeção (situações específicas).
- Se houver humidade recorrente: aí é ventilação, desumidificação e resolver a causa.
FAQ:
- A curcuma mancha o chão? Pode manchar, sobretudo em superfícies porosas, juntas claras e materiais não selados. Use dose mínima, pano bem torcido e teste antes.
- Posso usar em madeira? Só com muito cuidado: pouca água, teste prévio e nunca deixar líquido parado nas juntas. Se tiver dúvidas, evite.
- Dá para misturar com vinagre ou lixívia? Não misture com lixívia. Com vinagre, eu evitaria na primeira vez: pode não trazer benefício claro e complica o controlo (cheiro, reação com alguns materiais). Prefira detergente neutro e dose baixa.
- Isto substitui um desinfetante? Não. Ajuda na sensação de limpeza e nos odores, mas não é equivalente a um produto desinfetante quando ele é necessário.
- Com que frequência faz sentido usar? Como extra ocasional (por exemplo, 1x por semana ou quinzenal), não como regra diária - especialmente em pisos delicados.
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