Na noite em que fui pesquisar “porque é que o frigorífico está sempre a trabalhar”, a primeira coisa que apareceu no ecrã foi um daqueles avisos automáticos de chat: of course! please provide the text you would like me to translate., seguido do equivalente em português, claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.. Pareceu fora de contexto, mas a ideia ficou: antes de tentar truques complicados, convém garantir que o básico está “no sítio certo”. E no caso do frigorífico, um erro de poucos centímetros pode mesmo transformar-se em euros a mais todos os meses.
A maioria das pessoas só repara no frigorífico quando ele faz barulho, quando a comida estraga mais depressa, ou quando a conta da luz começa a subir sem explicação. O problema é que, muitas vezes, o culpado não é a idade do aparelho nem a marca: é a forma como foi instalado.
O erro pequeno que faz o motor trabalhar o dobro
O frigorífico não “faz frio” do nada. Ele retira calor do interior e despeja esse calor para fora, normalmente pela grelha traseira e/ou pela base, onde estão o compressor e o condensador. Para conseguir expulsar calor, precisa de uma coisa muito pouco glamorosa: espaço para o ar circular.
Quando o encosta demasiado à parede, quando o aperta entre móveis, ou quando tapa as grelhas com rodapés e painéis decorativos, o calor fica preso ali atrás. O resultado é simples: o compressor liga mais vezes e durante mais tempo para chegar à mesma temperatura. E isso é consumo.
O mais irritante é que a diferença pode ser mínima à vista: 2–5 cm a menos do que o recomendado já chega para piorar a ventilação, sobretudo em cozinhas pequenas e quentes.
O que acontece na prática (e porque é que a conta sente)
Imagine um frigorífico a trabalhar num canto “apertado”. Ele expulsa calor, mas o calor não se dissipa. A zona traseira aquece, o gás no circuito perde eficiência, e o sistema compensa com tempo de funcionamento.
Há sinais típicos:
- a lateral do frigorífico fica anormalmente quente ao toque;
- ouve o compressor “a pegar” muitas vezes, mesmo sem abrir a porta;
- a comida no fundo congela, mas nas prateleiras de cima fica menos fria;
- no verão, a situação piora de forma evidente.
Não é magia nem azar: é termodinâmica doméstica. E como o frigorífico é um dos poucos aparelhos ligados 24/7, qualquer perda de eficiência aparece no total do mês.
A regra do “afastamento”: quanto espaço é que precisa, afinal?
Não existe uma medida única perfeita para todos os modelos, mas há um princípio que raramente falha: siga o manual do fabricante e, se não o tiver, seja conservador com a ventilação.
Como orientação prática (para muitos modelos comuns):
- Atrás: deixe, idealmente, 5 a 10 cm de distância da parede.
- Laterais: pelo menos 2 a 5 cm (ou mais, se for um modelo “encastrável” que exige grelhas específicas).
- Em cima: alguns centímetros livres ajudam a libertar calor, especialmente se o condensador estiver na parte superior/traseira.
Se o seu frigorífico está num “nicho” feito à medida, confirme se esse nicho foi pensado para ventilação real, não apenas para caber “à justa”. Muitas cozinhas ficam bonitas e silenciosas… até ao dia em que o compressor começa a pagar a fatura.
O detalhe que quase ninguém verifica: grelhas tapadas e pó acumulado
Mesmo com distância suficiente, há dois bloqueios comuns:
- Grelha inferior tapada por rodapés, calhas ou painéis decorativos.
- Bobinas/condensador com pó, que funcionam como um casaco de lã num aparelho que precisa de ar.
Se conseguir, puxe o frigorífico com cuidado e espreite atrás (e por baixo, se tiver acesso). Uma camada de pó ali não é apenas “sujidade”: é isolamento térmico indesejado. Em muitos casos, uma limpeza rápida já reduz tempo de compressor e ruído.
Um lembrete importante: desligue da tomada antes de limpar e evite dobrar tubos ou forçar a traseira do aparelho.
O “erro de poucos centímetros” também pode ser na frente: desnivelado
Há outra armadilha discreta: o frigorífico ficar desnivelado. Parece um detalhe, mas pode afetar:
- o fecho da porta (a junta não encosta bem);
- a formação de gelo (em modelos e situações específicas);
- a drenagem de água (dependendo do sistema).
Se a porta não fecha com leveza e “volta” sozinha nos últimos centímetros, está a perder frio lentamente. E o frigorífico, mais uma vez, compensa com trabalho.
Uma verificação rápida:
- abra a porta a meio e largue suavemente;
- observe se ela tende a fechar sozinha;
- confirme se não há oscilações quando toca no canto do aparelho.
Os pés reguláveis existem por um motivo. Um ajuste de 2 minutos pode poupar horas de compressor por semana.
Um mini-plano de 15 minutos que costuma resolver (ou pelo menos esclarecer)
Se quiser atacar o problema sem ferramentas especiais, faça isto por ordem:
- Meça o afastamento atrás e nas laterais (sim, com fita métrica; “a olho” engana).
- Garanta que nada tapa grelhas na base/traseira.
- Limpe pó visível (pano seco, escova macia ou aspirador com cuidado).
- Nivele o frigorífico com os pés.
- Verifique a porta: junta em bom estado, sem folgas e sem gavetas a impedir o fecho.
Se, depois disto, ele continuar a trabalhar em excesso, aí sim faz sentido considerar termóstato, vedação gasta, gás, ou até a idade do compressor. Mas muitas vezes o “conserto” era espaço e ar.
Uma forma nova de olhar para o lugar do frigorífico
O frigorífico é o tipo de aparelho que punimos com indiferença: está sempre ali, sempre ligado, e por isso deixamos que a instalação seja “boa o suficiente”. Só que “boa o suficiente” numa cozinha apertada pode significar calor preso, porta mal alinhada e consumo invisível.
Vale a pena pensar nele como um radiador ao contrário: ele está a tirar calor de um lado e a largá-lo do outro. Se não deixarmos esse calor escapar, estamos a pagar para o manter preso.
| Ajuste | O que fazer | Porque poupa |
|---|---|---|
| Ventilação | Dar folga atrás/lados e libertar grelhas | Compressor trabalha menos tempo |
| Limpeza | Remover pó do condensador/zonas de ar | Troca de calor mais eficiente |
| Nivelamento/porta | Ajustar pés e confirmar fecho | Menos perdas de frio, menos ciclos |
FAQ:
- O meu frigorífico está encostado à parede há anos. Ainda faz diferença afastar agora? Sim. Se a ventilação estiver limitada, afastar alguns centímetros pode reduzir aquecimento na traseira e baixar o tempo de funcionamento do compressor, sobretudo no verão.
- Quanto espaço devo deixar exatamente? O ideal é seguir o manual do modelo. Sem manual, use como referência 5–10 cm atrás e 2–5 cm nas laterais, garantindo que grelhas não ficam tapadas.
- Se a lateral estiver muito quente, é sempre mau sinal? Um certo calor é normal, mas calor excessivo e constante pode indicar ventilação fraca ou dificuldade em libertar calor. Verifique afastamentos e pó.
- Limpar o pó atrás do frigorífico ajuda mesmo no consumo? Ajuda porque melhora a troca de calor. Não é um “milagre”, mas num aparelho que trabalha 24/7, pequenas melhorias acumulam.
- E se eu tiver um modelo encastrado? Modelos encastráveis exigem ventilação própria (canais, grelhas, medidas específicas). Se foi encastrado como um aparelho normal, vale a pena rever a instalação para não “cozinhar” o compressor.
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