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O truque preferido dos decoradores para fazer a sala parecer maior (e resulta em qualquer espaço pequeno).

Mãos medindo papel em cima de uma mesa com uma fita métrica, ao lado de uma janela e espelho.

O sofá era grande demais e a sala, pequena demais.

Foi isso que a proprietária disse, a rir, enquanto dois decoradores tentavam virar um sofá de três lugares num corredor que mal merecia esse nome. O apartamento em Londres era luminoso, mas apertado - uma clássica “caixa de sapatos” com uma vista ótima.

Vinte minutos depois, nenhuma parede tinha mudado de sítio, nenhum móvel tinha encolhido. E, no entanto, a sala de estar parecia de repente… arejada. O teto parecia mais alto, a parede do fundo parecia afastar-se, e a divisão deixou de parecer constrangida.

A única coisa que realmente tinha mudado era a forma como os seus olhos entravam no espaço. E esse é o truque discreto em que os decoradores juram confiar.

A ilusão começa antes de entrar na sala

Observe um bom decorador a entrar numa sala de estar pequena e vai notar algo subtil. Os olhos dele não vão diretamente para o sofá ou para a televisão. Ele procura a linha mais longa possível na divisão. Uma parede, uma janela, um feixe de luz. Depois começa a trabalhar como um cenógrafo, não como alguém a tentar “encaixar” móveis.

Em vez de pensar “Onde é que cabe o sofá?”, pergunta “Para onde é que podemos conduzir o olhar?”. Essa mudança altera tudo. Porque um espaço pequeno não parece pequeno por causa da área em metros quadrados. Parece pequeno quando o olhar está sempre a embater em obstáculos.

Pelo contrário, se os seus olhos conseguem viajar sem interrupções, o cérebro “aumenta” silenciosamente o tamanho da divisão.

Uma inquilina em Brooklyn disse-me que o seu estúdio parecia “um corredor com pretensões, com uma cama ao fundo”. Tinha feito o que a maioria de nós faz: sofá encostado à parede, TV na parede em frente, tapete pequeno ao meio como uma ilha solitária. Todas as linhas na divisão acabavam a meio.

Um amigo decorador foi lá, andou em silêncio e depois fez três coisas. Rodou o tapete para que o lado mais comprido acompanhasse a divisão. Afastou o sofá da parede apenas 10 cm. E colocou um varão de cortina mais largo do que a janela e subiu-o quase até ao teto. Sem mobília nova, sem obras, sem uma remodelação que engole orçamento.

No dia seguinte, ela enviou mensagem: “Acordei e pensei que alguém tinha mudado uma parede durante a noite.” Não tinham. As linhas de visão dela tinham finalmente ganhado direção.

Psicólogos do design falam em “expansão visual” - a forma como o cérebro interpreta comprimento, luz e continuidade como sinais de espaço. Quando uma sala é cortada em pequenas zonas visuais, a mente etiqueta-a como apertada, mesmo que as medidas não sejam más.

Inverta esse efeito e acontece algo estranho. Mantenha o pavimento o mais contínuo possível, estenda tecidos para além da moldura da janela, use móveis baixos e compridos, e o perímetro da sala fica mais difuso. Deixa de reparar onde a sala termina. Começa a seguir as linhas.

É aí que vive a magia: na forma como o olhar se desloca, não no alcance da fita métrica.

O truque preferido dos decoradores: esticar as linhas, não as paredes

O truque único a que os decoradores recorrem repetidamente em salas pequenas é este: criar uma linha forte e ininterrupta que puxe o olhar através do espaço. Uma “linha protagonista”, como lhe chamou uma stylist de interiores. Pode ser um móvel longo e baixo, um tapete colocado no sentido do comprimento, um carril de cortina alto, ou uma faixa de cor deliberada.

A forma muda; o princípio não. Está a desenhar uma seta visual que diz: olha para aqui - e continua. Numa sala estreita, isso significa muitas vezes colocar um aparador estreito, banco ou móvel baixo de arrumação ao longo da parede mais comprida. Numa sala quadrada, pode ser um tapete e uma mesa de centro a formar um retângulo que respeita a direção da divisão.

Não está a encolher os móveis; está a esticar a perspetiva.

Em termos práticos, há um movimento simples em três passos que os decoradores repetem em quase todas as salas compactas.

Primeiro, orientam o tapete pela dimensão mais comprida da sala, não pelo sofá. Um tapete de 160 x 230 virado “ao contrário” faz instantaneamente uma sala curta parecer mais comprida. Depois escolhem um móvel de TV, banco ou estante baixa que vá quase de parede a parede, em vez de uma peça pequena “a flutuar” que parece um remendo.

Por fim, elevam o olhar. Cortinas penduradas alto e largo, uma linha de quadros à altura dos olhos, ou uma faixa pintada a contornar a divisão à mesma altura. Estas linhas empilhadas criam um ritmo: baixo-comprido, meio-comprido, alto-comprido. O cérebro lê isso como amplitude, como faixas numa estrada.

Onde a maioria das pessoas se atrapalha é que a vida real é desarrumada. Os brinquedos aparecem, os cabos surgem, os cestos da roupa instalam-se como se pagassem renda. É aí que a ilusão começa a rachar.

Sejamos honestos: ninguém faz isto na perfeição todos os dias. Ninguém anda a endireitar tapetes antes de cada visita. É por isso que os decoradores introduzem discretamente “perdão”. Arrumação fechada ao longo dessa parede comprida. Um banco com cestos por baixo. Um móvel de media com portas em vez de prateleiras.

Os principais erros? Tapetes minúsculos a flutuar no meio da sala. Móveis pesados e escuros espalhados por cantos diferentes. Cortinas penduradas mesmo por cima da janela, fazendo a parede parecer mais baixa. Não são crimes. Mas vão roubando comprimento às suas linhas de visão, centímetro a centímetro.

“Pense numa sala pequena como numa fotografia”, diz a decoradora londrina Maya Ellis. “Se não houver uma linha forte a conduzir o olhar através do enquadramento, tudo parece apertado. Dê um caminho ao olhar e, de repente, há espaço para respirar.”

Depois de ver isto, pode começar a somar truques subtis à volta dessa linha principal:

  • Use um pavimento contínuo: o mesmo tom de madeira, a mesma família de cores no tapete, sem cortes visuais duros.
  • Prefira pernas a bases volumosas, para que o chão “passe” por baixo dos móveis.
  • Repita uma cor de destaque ao longo do comprimento da sala para criar uma “pista” visual discreta.
  • Agrupe as peças altas (estantes, roupeiros) em vez de as dispersar, para não “fatiarem” a sala.

Qualquer espaço pequeno pode usar variações disto - um estúdio, um quarto de estudante, até um hall de entrada estreito que parece estar sempre a fechar sobre si. Quando começa a esticar as linhas em vez de lutar contra as paredes, o espaço começa a colaborar.

Quando uma sala pequena deixa de pedir desculpa

Há um momento - logo depois de o último quadro ser pendurado e o tapete ser empurrado para o sítio - em que uma sala pequena deixa de parecer um compromisso. Não se torna magicamente enorme. Simplesmente deixa de sussurrar “desculpa” cada vez que entra.

Numa tarde cinzenta em Paris, vi um casal viver essa mudança. A sala deles tinha pouco mais de 12 metros quadrados, com um teto inclinado e uma janela difícil. Um decorador entrou, rodou o tapete, estendeu um banco simples de pinho quase de parede a parede, subiu o varão da cortina até roçar o teto e realinhou o sofá por menos do que a largura de uma mão.

A namorada ficou à porta e disse baixinho: “Agora parece uma sala normal.” Não maior. Apenas legítima. Às vezes essa é a verdadeira vitória. Num domingo de manhã com café, pernas no sofá, luz do sol a deslizar ao longo daquele banco comprido - de repente, parecia um lugar para viver, não um problema para resolver.

Ponto-chave Detalhe Vantagem para o leitor
Criar uma “linha protagonista” Tapete, banco, móvel de TV/media ou faixa de cor a acompanhar a maior dimensão da sala Estica imediatamente a perspetiva e faz a sala parecer mais comprida
Esticar o olhar para cima Varões de cortina altos e largos, quadros alinhados, repetição de linhas à mesma altura Simula paredes mais altas e um teto mais elevado sem obras
Limitar ruturas visuais Pavimento contínuo, peças altas agrupadas, arrumação fechada para a tralha Ajuda o olhar a circular suavemente, tornando a sala mais calma e espaçosa

FAQ

  • Qual é a forma mais rápida de fazer uma sala pequena parecer maior? Rode o tapete para acompanhar a parede mais comprida, afaste o sofá alguns centímetros da parede e pendure as cortinas mais altas e mais largas do que a janela. Três movimentos, grande mudança psicológica.
  • Preciso mesmo de um tapete maior num espaço pequeno? Estranhamente, sim. Um tapete maior que fique por baixo das pernas da frente do sofá e das cadeiras unifica a zona de estar e faz a sala parecer mais generosa, não mais apertada.
  • Que cores funcionam melhor para esta ilusão de espaço? Tons claros a médios e com baixo contraste mantêm a sensação de abertura. Acrescente cores mais fortes em linhas finas e horizontais ao longo do comprimento da sala para guiar o olhar.
  • Posso usar este truque numa casa arrendada onde não posso pintar? Claro. Use peças longas, passadeiras, cortinas altas com varões de pressão, ganchos removíveis para quadros e até uma linha de autocolantes de parede para criar esses percursos visuais.
  • Isto funciona noutros espaços pequenos, como corredores ou quartos? Sim. Oriente tapetes e camas pela parede mais comprida, coloque uma consola estreita ou ganchos ao longo de um lado e repita uma cor ou uma faixa de luz para puxar o olhar por toda a extensão do espaço.

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