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Porque os pneus dos carros perdem pressão mais rapidamente com o tempo frio.

Pessoa a verificar pressão do pneu de um carro com um medidor de pressão.

A primeira vaga de frio do ano é sempre um pequeno choque.

Não só para os dedos no volante, mas também para o painel de instrumentos. Numa manhã, o carro pega, o para-brisas está embaciado, o banco está gelado… e, de repente, acende-se um pequeno símbolo laranja dos pneus. Ontem estava tudo bem. Hoje, os quatro pneus estão “baixos”.

Dá uma vista de olhos rápida na entrada da garagem. Os pneus não parecem vazios. Não há nenhum prego óbvio, nenhum dano visível. Ainda assim, os números no manómetro da bomba do posto são implacáveis: faltam 0,3 bar, às vezes 0,4 bar, em cada roda. Parece que o carro perdeu ar em silêncio durante a noite.

Esta cena simples, ligeiramente irritante, esconde uma verdade muito física sobre ar, borracha e temperatura. E o que acontece dentro dos seus pneus no inverno não é apenas um detalhe técnico. Pode mudar o comportamento do carro num instante.

Porque é que os pneus parecem “perder ar” assim que a temperatura desce

Nas manhãs de inverno, os parques de estacionamento tornam-se laboratórios silenciosos. Centenas de veículos alinhados, todos estacionados da mesma forma, todos expostos ao mesmo ar frio. Ainda assim, a primeira coisa que muitos condutores notam não é a geada no tejadilho, é o aviso de pressão dos pneus a piscar assim que rodam a chave.

Essa luz de aviso tem um padrão: aparece muitas vezes quando a temperatura desceu de repente vários graus durante a noite. Menos dez graus lá fora podem significar facilmente uma perda de 0,1 a 0,2 bar em cada pneu. Não porque haja um grande furo, mas porque o ar lá dentro simplesmente encolheu. Visualmente, os pneus parecem quase normais. Mas na estrada, cada curva, cada travagem, tudo se sente um pouco mais vago, um pouco mais “flutuante”.

Um grande retalhista de combustíveis na Europa partilhou uma estimativa interna interessante: durante uma vaga de frio, as visitas às suas bombas de ar disparam até 30% na primeira semana. São milhares de condutores, todos perante o mesmo fenómeno invisível. Alguns chegam preocupados, convencidos de que têm um furo lento. Outros estão irritados, a tentar enfiar o carro entre duas carrinhas para chegar à bomba, com os dedos gelados a mexer nas tampas das válvulas.

Há também o condutor que só verifica os pneus quando a luz acende… e descobre que andou semanas a circular com 20% abaixo da pressão recomendada. O inverno apenas tornou o problema visível. De repente, a direção fica pesada, o consumo sobe, e aquele “isto vai passar” transforma-se em “se calhar devo tratar disto agora”.

A ciência por detrás disto é surpreendentemente simples. O ar reage à temperatura. Quando arrefece, o ar dentro do pneu contrai-se e ocupa menos volume, por isso a pressão baixa. Regra geral, perde-se cerca de 1 psi (0,07 bar) por cada descida de 6 °C. Some-se a isto microfugas normais através da borracha e à volta da válvula ao longo do tempo, e o frio funciona como um acelerador. O que parecia estável no outono torna-se claramente subinflacionado em janeiro. Não é que os pneus tenham passado a ser maus de um dia para o outro. O ambiente mudou, e eles seguiram as leis da física.

Como proteger os seus pneus (e os seus nervos) quando o mercúrio desce

O gesto mais eficaz é embaraçosamente simples: verificar a pressão com os pneus frios, em tempo frio. Não depois de uma longa viagem em autoestrada, não “quando lhe der jeito”, mas logo no início, idealmente após no máximo alguns minutos a conduzir. É aí que a leitura corresponde às recomendações no autocolante da ombreira da porta ou na tampa do depósito.

A estação fria também pede um pequeno ajuste. Muitos fabricantes e especialistas em pneus sugerem acrescentar cerca de 0,2 bar (3 psi) à pressão recomendada quando o inverno se instala. Não se trata de encher em excesso até a condução ficar dura. É mais uma margem de segurança contra as descidas noturnas. Bem feito, o carro fica mais preciso, trava melhor, e a luz do TPMS demora mais a voltar.

A armadilha em que muita gente cai é esperar que a luz de aviso “decida” por si. Esse pequeno ícone laranja torna-se o único plano de manutenção. As semanas passam, a temperatura desce aos poucos, e os pneus vão ficando mais moles. Numa rotunda molhada, essa negligência pode ser a diferença entre uma trajetória limpa e um deslize inesperado. Todos já tivemos aquele momento em que o carro parece fugir um pouco mais do que o normal sem razão aparente. Muitas vezes, a razão está simplesmente ali, no chão, sob cada canto do carro.

Há também um padrão muito humano: as pessoas tendem a avaliar “a olho” os pneus. Se não parecem claramente vazios, o cérebro arquiva como “está bem por agora”. No entanto, um pneu pode estar 20% abaixo e ainda assim parecer bastante normal a olho nu. Com o tempo, essa baixa pressão desgasta os ombros, aquece mais a borracha e força os flancos. Sejamos honestos: ninguém pega no manómetro todos os dias. Mas uma vez por mês no inverno? Isso é perfeitamente viável.

“Os pneus raramente falham do nada”, confidenciou-me um montador de pneus veterano com quem falei num janeiro gelado. “Primeiro, eles avisam. A pressão desce. Os padrões de desgaste mudam. O inverno só torna a voz deles mais alta.”

Uma rotina simples de inverno pode mudar tudo:

  • Verifique a pressão dos pneus uma vez por mês, de novembro a março, com os pneus frios.
  • Use a pressão indicada no autocolante da porta e depois acrescente +0,2 bar se conduz frequentemente com temperaturas perto de zero.
  • Inspecione as tampas das válvulas e substitua as que faltam ou estejam rachadas. São pequenas, mas cruciais para manter sujidade e humidade fora.
  • Se a luz do TPMS acender regularmente, não a reponha apenas. Verifique se há furos lentos, sobretudo por pregos ou parafusos no piso.
  • Considere mudar para pneus de inverno ou quatro estações se conduz frequentemente com neve ou temperaturas negativas, pois lidam melhor com o frio no geral.

O que os pneus frios revelam em silêncio sobre a sua condução e os seus hábitos

O tempo frio tem uma forma estranha de revelar aquilo que vamos adiando. A pressão dos pneus é uma dessas coisas. O painel não o julga, mas expõe esse reflexo de “depois trato”. Numa manhã gelada, em frente à bomba de ar, fica subitamente cara a cara com os seus próprios hábitos.

Ainda assim, esse pequeno ritual pode tornar-se curiosamente satisfatório. Liga a mangueira, ouve o sibilo, vê os números a subir. Em menos de cinco minutos, o carro sente-se diferente: mais reativo, mais seguro, mais leve. É um pouco como devolver-lhe todo o potencial. Não vê as moléculas a mover-se, mas sente-o no volante e na próxima travagem de emergência.

O que acontece nos seus pneus no inverno é um lembrete de que um carro não é apenas uma caixa de metal que aponta e anda. É um sistema vivo onde ar, borracha, temperatura e tempo estão constantemente a negociar. Depois de sentir como o carro fica mais calmo com a pressão certa numa autoestrada molhada e escura, é difícil voltar atrás. Começa a perceber essas pequenas mudanças mais cedo. E talvez, numa destas manhãs frias, seja você a explicar a um amigo no posto porque é que os pneus dele continuam a “perder ar” sempre que arrefece.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
O ar contrai-se com o frio Cada descida de ~6 °C pode reduzir a pressão do pneu em cerca de 1 psi (0,07 bar) Ajuda a perceber porque é que a luz de aviso aparece após noites frias
Verificar com os pneus frios Medir e ajustar logo no início, antes de viagens longas, usando os valores do autocolante da porta Dá leituras mais precisas e melhor comportamento no inverno
Acrescentar uma pequena margem no inverno +0,2 bar (cerca de 3 psi) é muitas vezes recomendado em frio prolongado Reduz o risco de subinflação e mantém a luz do TPMS apagada por mais tempo

FAQ:

  • Porque é que os avisos de pressão dos pneus só aparecem no inverno? Porque o ar frio contrai-se; a pressão desce mais rapidamente quando as temperaturas caem, revelando pequenas fugas e subinflação já existente que passou despercebida nos meses mais quentes.
  • É seguro encher ligeiramente acima do recomendado no tempo frio? Uma pequena margem de cerca de 0,2 bar acima do valor recomendado é amplamente aceite no inverno, desde que se mantenha dentro dos limites indicados pelo fabricante.
  • Devo confiar no TPMS do carro ou no manómetro do posto? Use o TPMS como alerta e confirme com um manómetro fiável. Os manómetros dos postos podem ser aproximados; um manómetro pessoal de boa qualidade costuma ser mais consistente.
  • Os pneus de inverno perdem pressão mais depressa do que os de verão? Seguem as mesmas leis da física, mas a borracha é mais macia e mais sensível à temperatura, pelo que as variações de pressão podem parecer mais evidentes.
  • Conduzir com baixa pressão pode danificar o meu carro? Sim. A subinflação prolongada pode deformar os pneus, aumentar o desgaste, elevar o consumo e colocar mais esforço nos componentes de suspensão e direção.

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