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Sabe por que desligar o aquecimento à noite pode sair mais caro? Eis o que os especialistas em energia recomendam fazer.

Pessoa ajusta termostato enquanto segura uma chávena com bebida quente, numa sala iluminada pelo sol.

The numbers on the thermostat glow in the dark like a tiny scoreboard of your energy bill.

São 23h23. Está de meias e com uma sweatshirt velha, parado no corredor, com o dedo a pairar sobre o botão “desligar”. Preços do gás, manchetes nas notícias, aquele vizinho que jura “eu desligo o aquecimento à noite e poupo uma fortuna” - tudo o empurra a fazer o mesmo.

Clica. Silêncio. Uma pequena vitória, pensa. Debaixo do edredão, o ar parece fresco e “saudável”. Mas, por volta das 3 da manhã, o nariz está gelado, os ombros tensos e começa a perguntar-se porque é que a casa parece um frigorífico.

Na manhã seguinte, sobe o termóstato em força, ferve a chaleira duas vezes e fica à frente do radiador como um gato em Janeiro. Depois, a fatura chega à caixa de entrada e começa a pensar: e se este ritual noturno não estiver a poupar dinheiro nenhum?

Porque “desligar à noite” nem sempre fica mais barato

No papel, desligar o aquecimento durante a noite parece inteligente e quase virtuoso. Oito horas sem calor, menos gás queimado, fatura mais baixa. Simples. Só que uma casa não funciona como uma chaleira que arrefece e volta a aquecer em segundos.

As paredes, os pisos, a mobília - até o próprio ar - armazenam calor. Quando desliga tudo durante horas, toda a estrutura vai lentamente entregando esse calor. Ao amanhecer, não está apenas a voltar a aquecer o ar. Está a voltar a aquecer um edifício frio.

É por isso que tantas pessoas sentem aquele “efeito chicote”: “poupam” a noite toda e depois, às 7 da manhã, disparam a caldeira - e o sistema tem de trabalhar mais, durante mais tempo, com mais potência. A matemática não é tão óbvia como o clique de um botão.

Imagine uma típica casa geminada britânica numa noite gelada de fevereiro. A família vai para a cama às 22h30, desliga o aquecimento e a sala fica num confortável 20°C. Lá fora, desce para 1°C. Às 3 ou 4 da manhã, a casa pode ter descido para 14–15°C, por vezes menos em casas mais antigas.

Às 6h30, alguém acorda a tremer e dá um toque no termóstato para 23°C “só para aquecer rápido”. A caldeira entra em esforço. Os radiadores passam de mornos a escaldantes. Durante a hora ou duas seguintes, o sistema funciona quase no máximo, a empurrar calor para paredes frias e ar frio.

Investigadores na área da energia mostram que, quanto maior a diferença de temperatura entre o interior e o exterior, mais depressa o calor se perde. Uma casa a fazer ioiô entre quente e frio pode, no total, “vazar” mais calor do que uma que mantém uma temperatura mais baixa, mas estável. Essa sensação de “aquecer depressa” tem um custo escondido.

A lógica por trás do custo extra é física simples. Os sistemas de aquecimento são mais eficientes quando trabalham de forma constante, não em rajadas dramáticas. Uma caldeira que passa de desligada para potência máxima e volta a desligar desperdiça energia a subir de temperatura, tal como um carro gasta mais combustível no pára‑arranca do que numa autoestrada tranquila.

Quando a casa arrefece muito, o desnível entre interior e exterior é enorme. O calor foge pelas janelas, telhados e pequenas frestas que quase nem nota. A sua caldeira tem de “bombear” muito mais energia para recuperar esses graus perdidos de manhã.

Uma redução ligeira durante a noite - por exemplo, de 20°C para 17°C - pode poupar dinheiro. Um desligar total que deixa a casa aproximar-se das temperaturas exteriores pode sair ao contrário. A linha entre “poupança inteligente” e “falsa economia” é mais fina do que a maioria das dicas de energia sugere.

Como usar o aquecimento à noite sem rebentar o orçamento

O truque não é manter o aquecimento a trabalhar forte toda a noite, mas sim evitar que a casa se transforme numa caixa gelada. A maioria dos termóstatos modernos permite definir uma temperatura mais baixa à noite em vez de desligar por completo. Pense nisto como pôr o aquecimento em “modo de espera” em vez de o desligar.

Para muitas casas, o ponto ideal anda pelos 16–18°C durante a noite. Quente o suficiente para evitar que o edifício perca todo o calor acumulado, fresco o suficiente para não desperdiçar energia. Não precisa de noites tropicais para se sentir confortável de manhã.

Se tiver um termóstato programável, crie um horário simples: temperatura de dia quando está acordado, temperatura de noite a partir da hora de deitar e, depois, um pequeno aumento 30–60 minutos antes do despertador. O objetivo são transições suaves, não oscilações brutais.

E aqui entra o lado humano. Numa noite fria, a maioria de nós não pensa em curvas de consumo ou gráficos de eficiência. Pensa: “Estou a morrer de frio, desligo isto agora e logo de manhã volto a pôr no máximo.” Num mês com fatura pesada, entramos em pânico e optamos por medidas extremas.

É também por isso que tanta gente acaba por fazer o pior dos dois mundos: aquecimento alto à noite porque sente que “merece conforto”, desligado toda a madrugada e depois uma lufada de calor ao amanhecer. O corpo detesta. A caldeira detesta. A fatura denuncia.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias - esses ajustes perfeitos, cronometrados ao minuto. A vida mete-se no caminho. As crianças acordam, acontece Netflix até tarde, alguém se esquece de mudar o programa. O objetivo não é a perfeição, é ter menos oscilações e menos decisões de “tudo ou nada”.

“As pessoas pensam que a escolha é ‘aquecimento ligado’ ou ‘aquecimento desligado’”, diz um consultor de energia em Manchester. “Na realidade, as verdadeiras poupanças vêm de ‘aquecer de forma mais inteligente’ - pequenos ajustes, temperaturas estáveis e menos drama para a caldeira.”

Uma forma de facilitar é focar-se em ganhos rápidos em vez de grandes revoluções. Eis alguns que protegem discretamente a carteira durante a noite:

  • Defina uma temperatura noturna (16–18°C) em vez de desligar totalmente o aquecimento.
  • Use o programador para a casa aquecer de forma gradual antes de acordar.
  • Purge os radiadores uma ou duas vezes por ano para aquecerem de forma uniforme.
  • Feche as portas de divisões que não usa para não aquecer, por exemplo, as escadas.
  • Use mais camadas na cama e pijamas para manter o termóstato num valor moderado.

Nada disto vai impressionar o seu tio ultra‑poupado no Natal. Mas funciona - devagar e silenciosamente - enquanto dorme.

A verdadeira questão: conforto, custo ou controlo?

Por baixo do debate técnico, há algo mais pessoal. Aquecimento não é só quilowatt-hora; é também sobre o controlo que sente ter sobre a sua própria casa. Quando os preços sobem e as manchetes gritam “crise energética”, aquele pequeno termóstato torna-se um símbolo de ansiedade.

Desligar o aquecimento à noite pode parecer retomar o controlo. Está a fazer alguma coisa. Está a ser “responsável”. Quando a fatura continua a subir, é fácil culpar o fornecedor, o tempo, qualquer coisa - menos a realidade silenciosa: algumas estratégias que parecem rigorosas e disciplinadas são, na prática, ineficientes.

Numa noite fria de janeiro, o verdadeiro luxo talvez não seja um quarto a escaldar, mas uma casa que não oscila violentamente de sauna para congelador. Uma casa onde a temperatura - e a fatura - são previsíveis o suficiente para deixar de obsessar com cada clique no termóstato.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Temperatura noturna moderada Manter a casa nos 16–18°C em vez de desligar tudo Limitar a perda de calor e evitar reinícios dispendiosos
Aquecimento gradual de manhã Programar uma subida suave antes de acordar Menos consumo de pico, mais conforto ao levantar
Menos “tudo ou nada” Privilegiar definições estáveis em vez de grandes oscilações Reduzir a fatura sem sacrificar o conforto diário

FAQ

  • É alguma vez mais barato desligar o aquecimento à noite?
    Numa casa muito bem isolada, com períodos curtos desligado e tempo ameno, desligar completamente pode não prejudicar muito. Em muitas casas mais antigas ou com correntes de ar, a perda de calor durante a noite é tão grande que voltar a aquecer de manhã consome mais energia do que manter uma temperatura noturna baixa e estável.
  • Que temperatura noturna é melhor para poupar dinheiro?
    Para a maioria das pessoas, uma definição entre 16°C e 18°C equilibra conforto e poupança. Abaixo disso, a casa pode arrefecer demasiado, obrigando a caldeira a trabalhar mais quando acorda.
  • Devo desligar os radiadores em divisões que não uso?
    Pode reduzi-los, mas não os desligue por completo em tempo muito frio, sobretudo em divisões com canalizações nas paredes. Mantê-los num nível baixo ajuda a evitar humidade e tubos congelados, ao mesmo tempo que reduz custos.
  • O aquecimento por piso radiante muda as contas?
    Sim. Sistemas de piso radiante respondem lentamente e funcionam melhor com temperaturas estáveis. Desligá-los à noite geralmente não faz sentido: vão precisar de muitas horas e mais energia para voltar a um nível confortável.
  • E se eu só tiver um termóstato básico, sem programação?
    Ainda assim pode beneficiar se baixar manualmente a temperatura à noite em vez de carregar em “desligar”. É menos conveniente, mas mesmo uma pequena redução - em vez de um corte total - ajuda a manter a casa dentro de uma faixa mais confortável e eficiente.

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