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Tres programas da panela multifuncoes que vao mudar o seu jantar para sempre

Mãos mexem legumes numa panela elétrica com vapor. Ao lado, taças com arroz e especiarias sobre a mesa de madeira.

Chega a casa tarde, abre o frigorífico, e a cabeça começa logo a negociar com o relógio. É muitas vezes aí que aparece no ecrã a frase “claro! por favor, forneça o texto que pretende traduzir.” - e, noutros contextos, o equivalente “of course! please provide the text you would like me to translate.” - como lembrete de que a tecnologia só ajuda quando lhe damos a instrução certa. A panela multifunções é igual: com o programa certo, o jantar deixa de ser um “logo se vê” e passa a ser uma sequência simples e repetível.

A maior parte das pessoas usa a panela como “panela rápida” e fica por aí. Mas os verdadeiros ganhos aparecem quando trata os programas como ferramentas, cada uma com um tipo de noite em mente: a noite de pressa, a noite de cansaço e a noite em que quer zero falhas.

Porque é que “programas” mudam mais do que as receitas

Uma receita diz-lhe o que cozinhar. Um programa diz-lhe como o calor e a pressão vão trabalhar por si, mesmo quando você está a pôr a mesa, a dar banho às crianças ou a responder a uma última mensagem.

O truque não é ter mil botões. É ter três rotinas que resolvem 80% dos jantares, com os mesmos ingredientes de sempre.

Programa 1: Refogar (Sauté) - o atalho para sabor “de tacho”

Se há um programa que separa um prato “cozido” de um prato realmente saboroso, é o Refogar. Ele dá-lhe controlo: calor direto, evaporação rápida e aquela reação dourada que faz a cozinha cheirar a jantar a sério.

Funciona especialmente bem para bases clássicas: cebola + alho + azeite, cenoura e aipo, ou pimentos e tomate. Em 5 a 8 minutos, ganha um fundo que depois aguenta tudo: carne, leguminosas, arroz, molhos.

Como usar sem complicar: - Aqueça 1–2 colheres de sopa de gordura (azeite, manteiga, óleo). - Junte aromáticos (cebola, alho, especiarias secas) e deixe ganhar cor, não pressa. - Descole o fundo com um pouco de água, vinho ou caldo antes de mudar de programa. Isto evita o aviso de “queimado” e recupera sabor.

Uma rotina que salva noites: Refogar cebola + chouriço (ou cogumelos) → juntar arroz e tomate → mexer 30 segundos → descolar com caldo. Daqui, pode ir para pressão (jantar em 15 minutos) ou para “Arroz/Grãos” (resultado mais solto).

Programa 2: Cozedura sob pressão - guisados em tempo de semana

A cozedura sob pressão é o programa que mais “muda o jantar”, porque troca tempo por previsibilidade. Não é magia: é água a ferver a uma temperatura mais alta, a empurrar calor para dentro dos alimentos mais depressa.

O ponto forte não são só as carnes. É tudo o que normalmente “pede tempo”: grão, feijão, lentilhas, caldo caseiro, estufados e molhos que precisam de reduzir e integrar.

O método que dá certo (quase) sempre

Pense em três camadas: base + ingrediente principal + líquido suficiente.

  1. Base (opcional mas recomendada): 5 minutos de Refogar com cebola/alho/especiarias.
  2. Principal: frango em pedaços, carne para estufar, batata-doce, feijão demolhado, etc.
  3. Líquido: caldo, água, tomate triturado (com alguma água), ou leite de coco - o suficiente para criar vapor e não secar.

Depois é carregar no programa e deixar a panela fazer o que faz melhor: cozinhar de forma uniforme, sem vigiar.

Três exemplos “para repetir”

  • Caril de frango e grão: refogar caril + cebola; frango; grão cozido; leite de coco + um pouco de água. Pressão 8–10 min, libertação natural 5 min.
  • Chili rápido: carne picada ou legumes; tomate; feijão; especiarias. Pressão 10 min, depois Refogar 3–5 min para engrossar.
  • Estufado de carne: cubos de vaca; cenoura; batata; caldo. Pressão 30–35 min (dependendo do corte), libertação natural.

Pormenor que evita desilusões: a “libertação natural” (esperar alguns minutos antes de abrir a válvula) melhora texturas em carnes e leguminosas e reduz a probabilidade de molho a espirrar.

Programa 3: Arroz/Grãos (ou “Cereais”) - consistência sem vigilância

Este é o programa mais subestimado porque parece básico. Mas é o que lhe devolve uma coisa preciosa: não ter de estar a olhar para o tacho. E quando o arroz sai sempre igual, tudo o resto fica mais fácil.

Além do arroz branco, costuma funcionar muito bem com: - arroz integral (ajustando tempo e água), - quinoa, - bulgur e outros cereais, - misturas de arroz + legumes.

Uma regra simples para noites caóticas

Faça do arroz a “base fixa” e mude só o topping. Num dia vai com salmão e brócolos ao vapor; noutro, com ovos e legumes salteados; noutro, com frango desfiado e molho.

Para melhorar logo o resultado: - Passe o arroz por água até esta sair menos turva (menos goma, mais solto). - Tempere a água (sal) e, se quiser, junte uma folha de louro ou um fio de azeite. - No fim, deixe repousar 5 minutos com a tampa fechada antes de soltar com um garfo.

O “combo” que faz a panela parecer outra: Refogar → Pressão → (Refogar rápido)

Muitos jantares ficam medianos porque acabam “aguados”. A sequência curta resolve isso sem técnica complicada: 1) Refogar para criar sabor
2) Pressão para cozinhar depressa
3) Refogar 2–6 minutos no fim para reduzir e acertar o molho

É a mesma lógica de um bom tacho, mas acelerada e mais previsível.

Checklist de 60 segundos antes de carregar no botão

Quando um jantar corre mal na panela multifunções, raramente é por falta de talento. Quase sempre é um destes detalhes.

  • Há líquido suficiente para gerar vapor?
  • O fundo foi descolado depois de refogar?
  • Ingredientes que espumam (massa, aveia, alguns feijões) estão em modo apropriado e com margem?
  • O tempo faz sentido para o corte de carne (não para “carne” em geral)?
  • Vai precisar de reduzir no fim para ficar com a consistência que quer?

Resumo rápido: quando usar cada um

Programa Melhor para Resultado típico
Refogar (Sauté) Bases e dourar Mais sabor, menos “cozido”
Pressão Guisados, leguminosas, carnes Jantar rápido e uniforme
Arroz/Grãos Arroz, quinoa, acompanhamentos Consistência sem vigilância

FAQ:

  • Qual é o programa mais importante se eu só aprender um? Refogar. Dá sabor imediato e melhora tudo o que vier a seguir, incluindo pratos de pressão e arroz.
  • Porque é que às vezes aparece aviso de “queimado”? Normalmente por fundo não descolado após refogar ou por pouco líquido. Raspe o fundo com um pouco de caldo/água antes de fechar a tampa.
  • Posso cozinhar massa sob pressão? Pode, mas exige atenção (espuma e amido). Se a sua panela tiver programa específico, use-o; caso contrário, prefira tempos curtos e libertação controlada.
  • O arroz fica sempre pegajoso. O que faço? Lave o arroz, ajuste a água e deixe repousar tapado no fim. Se ainda assim ficar pegajoso, reduza ligeiramente a água na próxima vez.
  • Preciso mesmo de libertação natural? Nem sempre, mas ajuda em carnes, caldos e pratos com muito líquido. Em legumes mais delicados, a libertação rápida pode ser melhor para não passarem do ponto.

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